Em busca da paz
Mãos tremulam, garganta seca. Insegurança consome a alma da indocumentada: sem pai, sem mãe, sem cuidado e com um pouco de afeto que cabe em sua maleta. A cabeça pesa, cria fios e nós, narrativas que se entrelaçam ao ponto de ser impossível decantar o ficcional e o acontecido, no terror da eminência. Contemplar o belo e as possibilidades pela janela é o que há, para não se aprisionar de forma eterna na gaiola da própria mente.
Mãos tremulam, garganta seca. Parada adiante. Como cães farejadores, sobem os homens. Em sua fala, há todo o poder. Poder para parar, poder para restringir, poder para expulsar, poder para mudar todas as trajetórias. A indocumentada se reduz a pó, a voz fica diminuta, quase não se escuta. Enquanto se diminui para que possa existir, surge uma faísca para evitar a explosão. Uma coragem que nunca teria, porém, que por sina, esbanjava na chama que ao seu lado permanecia. Os homens escutam, estranham. Saem, levando com si não a indocumentada, mas um outro desafortunado. Parece que por mais que tentem, ninguém consegue absorver o que sai das suas palavras.
Restam dias, aproveita cada segundo. Por mais que tente e ensaie em sua mente, ainda é impossível evitar que as mãos tremulem e a garganta seque quando vê as vestimentas esverdeadas ou, então, luzes rojas a desvanecer e aparecer. A insegurança não se vai. Agora entende como é não ser ninguém, não ter chão sob seus pés. Na esperança que A Paz acalente suas incertezas.
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